Surreal é a palavra do momento
A gente está no meio de uma pandemia há mais de 4 meses, mas os primeiros casos aqui no Brasil, se não me engano, foram em fevereiro, com casos importados dos EUA. Naquela altura, Trump estava minimizando a pandemia, mas recuou depois de ver um amigo e sua família internados, e hoje, algumas grandes cidades estão sob lockdown, com quase 900 mil casos confirmados e 45 mil mortes. 45 mil pessoas. 45 mil pessoas morreram e ainda continuarão. O Bolsonaro, desde o início, desdenhou da doença, disse que é apenas uma "gripezinha" e que a economia não pode parar, mas ele é aquele tipo de canalha que um repórter lhe perguntou hoje sobre o número de mortes aqui no Brasil e ele lhe respondeu: eu não sou coveiro. Surreal isso. A gente sabe o tipo de pessoa que ele é, e que não serve para presidente, não tem preparo para tal, não tem competência alguma e só sabe mentir. O pior presidente da história. O único presidente nesse mundo que demitiu um ministro de saúde pelo bom trabalho. Ressalto que se tratava de um ministro anti-SUS, mas temos que reconhecer que diante do cenário, ele estava realmente levando a sério, e contrariando Bolsonaro, principalmente em relação a isolamento social e cloroquina, a "cura comprovada" que Bolsonaro anda alardeando. Aqui resumimos o Brasil, nesses dias, em times cloroquiners x quarantiners. Aliás, acho que o novo ministro está proibido de fazer coletiva diária, pois ele anda bastante sumido desde que assumiu. Com certeza Bolsonaro só podia colocar alguém que não o contrariasse e que não se destacasse mais que o presidente. Sim, surreal. Demais. E a impressão que tenho agora é que, com a mudança de ministro, estão manipulando dados, está faltando transparência e creio que tenham intenção de fazer isso para fazer as pessoas acreditarem que o isolamento social não é necessário e que o comércio tem que reabrir o quanto antes para não quebrar o Brasil. Sendo que quem tá quebrando é o próprio presidente. O próprio que quer colocar culpa nos governadores que estão fazendo o possível, pelo menos uma boa parte deles, porque ainda tem alguns que apoiam a ideia de flexibilizar o isolamento social. E quem quer ficar isolado, gente? De verdade. Estou louca para sair, rever as pessoas. Porém, é super necessário. O pico ainda não chegou, o que demonstra que isolamento social está funcionando, embora não esteja no nível ideal (aqui em João Pessoa, o nível é 40% e o ideal é 70%), mas chegará. Temos cerca de 3 mil mortes, um sem número de casos subnotificadas, SP e Manaus estão enterrando seus mortos em valas comuns, está faltando uma série de coisas aqui, EPIs para os médicos, enfermeiros, etc, testagem em massa que o novo ministro prometeu na sua primeira coletiva, de apresentação, e depois sumiu. E quem dera fosse o problema ser apenas o Bolsonaro (e seus filhos, Guedes, Olavo, etc etc), ainda temos os seguidores bolsonaristas que fazem protestos em prol do presidente, defendendo pautas como, por exemplo, AI-5. Com Bolsonaro aplaudindo e endossando. Entre tantas tosses. Surreal demais. Não é novidade para ninguém isso. Que o presidente sente saudades da ditadura. Que exalta torturadores. Que tenha postura autocrata. Mas surreal que esse cara, há mais de um ano, seja nosso presidente. Com tantas declarações absurdas, o Congresso só produz notinha de repúdio. o STF continua covarde. A oposição faz barulho, mas só barulho. Estamos numa era em que somos viciados nas redes sociais e só fazemos "militância" de sofá. Não nos organizamos. Não nos politizamos, enquanto Bolsonaro, Olavo, Terça Livre continuam firmes na despolitização. E eu, sei lá, estou sem esperança. Os nossos passos são de formiguinhas, ainda temos muito chão, contra os deles, que já são bem enraizados há séculos. Mas não posso perder esperança. Sempre espero estar errada sobre tudo isso, mas os bolsonaristas são lunáticos, não tem como eu estar errada. Aliás, é zelar pela sanidade mental manter distância dessa gente. E eu tento ser positiva, mas está difícil. Não temos um presidente de verdade, mas precisamos acabar com esse canalha antes que ele acabe com as nossas vidas e o nosso país.
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